O Externato Santo António
O Externato sentiu, desde o seu início a necessidade de proporcionar um clima pedagógico partilhado e centrado na acção da criança. Assim como, o desejo de um “contrato pedagógico”, entre todos os intervenientes neste processo, de modo a existir uma partilha responsável entre toda a comunidade Educativa.
Este ano o tema do Projecto Pedagógico é:”Aprender, Sonhar e Sorrir”., o qual fala da importância de partilhar e construir valores sociais, culturais, morais, etc., que todos nós (crianças em especial), vivenciamos, aliado à importância que a psicomotricidade desempenha no Jardim-de-infância.
Não devemos esquecer que o Projecto Pedagógico, como acto intencional, nunca deve deixar de ser considerado como uma aprendizagem progressiva, contínua, em que a criança é um organismo em crescimento, com necessidade de participar numa comunidade mais ampla.
Desta forma apresentamos de seguida, o Projecto Pedagógico do Externato Santo António, para o presente ano lectivo:
Externato Santo António
Projecto Pedagógico:
“Aprender, Sonhar e Sorrir”
Elaborado pela Educadora Patrícia Quaresma
Ano Lectivo de 2010/2011
Sala: Jardim-de-infância
“Sabemos muito mais do que achamos e podemos
Muito mais do que imaginamos”
Anónimo
Índice pág.
1. Poema
2.ONossoModelo Pedagógico
5. Características de um grupo/tipo
6. O nosso Projecto Pedagógico:
6. 1. – Objectivos Gerais
6. 2. – A Temática
6. 3. – Plano Anual de Actividades
Bibliografia
2. – O Nosso Modelo Pedagógico
Um modelo curricular é um padrão ideal de trabalho que se constrói a partir de teorias e elementos pedagógicos, com o fim de alcançar um determinado resultado educativo.
O Educador deve criar um meio e uma atmosfera favoráveis à aprendizagem para favorecer o desenvolvimento das crianças. Para que isso possa acontecer da melhor forma o método utilizado no externato Santo António é o da Escola Moderna, mas não na sua totalidade e abertura, visto este não ser possível ao nível de alguns aspectos estruturais, no externato. Por esta mesma razão é utilizado igualmente, o método da Pedagogia de Projecto. Ambos têm uma perspectiva desenvolvimentista para a Educação de Infância.
Neste Modelo deve ser fornecido o material, sugerir actividades e avaliar o que se passa na cabeça da criança. Quando há material à disposição a criança pode fazer o que o seu imaginário quiser, também podem surgir actividades que esta vai sugerir, é então, nesta altura, que o Educador as deve aproveitar.
O Educador deve dar uma resposta correcta, ou seja, ajudar a criança, mas nunca lhe dar toda a resposta, deverá leva – lo a chegar à sua própria conclusão. Cabe também ao Educador proporcionar à criança situações reais, onde esta possa investigar e experimentar
situações novas aguçando o seu espírito de investigador, recolhendo informação. Segundo Piaget as vivências são as principais fontes de aprendizagem.
Deve também ajudar a criança a desenvolver as suas ideias, ou seja, deve levar a criança a pensar. No fundo este é um Modelo baseado em princípios Democráticos , no qual a criança é no seu dia a dia em cidadão participante de uma vida Social.
Estes modelos são, exigentes na medida em que, depende da criança e do adulto, da sua interligação e da sua conjunção, ou seja, tem que por parte do adulto, existir uma boa percepção da acção da criança. Este modelo exige também uma constante actualização do projecto.
É um modelo subjectivo na medida em que tem em conta as necessidades e os interesses de cada criança, planificando e organizando também em conjunto com o grupo.
3 – A Organização da Nossa Sala:
A Sala de Jardim-de-infância está dividida por áreas, tais como:
- Cantinho da leitura – constituído por um tapete e vários livros (de imagens, revistas, animais, jornais, etc.) onde a criança pode simular a leitura com base na memória e em pistas visuais contidas nas imagens, ouvir histórias, inventar as suas próprias histórias.
- Área dos jogos – é constituído por um móvel, em que a ultima das prateleiras, tem um jogo diferente (jogos de associações, enfiamentos, profissões, encaixe, etc.). É uma área que cativa pela sua multiplicidade de brincadeiras e actividades. A criança adora construir e desmanchar as suas invenções.
- Área da Modelagem – Esta área é normalmente realizada, nas mesas de actividades, a qual tem uma mesa destinada a esta área. É constituída por uma caixa, com várias cores de plasticina diferentes entre si. Aqui as crianças podem criar livremente, sem estereótipos, criar, desmanchar e voltar a criar, variados objectos, animais, etc.
- Área da Leitura e da escrita – esta é constituída por um dossier de imagens, um dossier de Cores e vários “stencils”com números e letras (na qual as crianças copiam o que se encontra desenhado e escrito nestes dossiers). Neste espaço a criança terá o seu primeiro contacto com a leitura e a escrita, na qual começa a descobrir as letras, as frases e os números. É uma área importante, principalmente para as crianças que vão iniciar a escola, mas também é o início para as crianças poderem reconhecer as letras e perceber as suas funções.
- Área das Ciências – Esta é constituída por animais (nomeadamente um periquito, oferecido à sala), uma lupa, para que a criança possa observar tudo o que traz da natureza diariamente. Mas principalmente este é um espaço em constante construção, visto que é aqui que a criança fará as suas primeiras descobertas científicas (peso, medida, altura, etc.), assim como as noções matemáticas de uma forma lúdica e prática. Neste espaço será incluído todas as plantas, folhas, animais, etc., que as crianças demonstrem interesse em trazer do exterior para dentro da sua sala.
- Área da Pintura – Esta é constituída por um móvel, com vários materiais inerentes a esta prática, nomeadamente: tintas, pincéis, esponjas, bibes de pintura, copos e tampas para as tintas, etc.
Apesar de este ser um espaço bem limitado na sala, esta prática é normalmente realizada na mesa da actividade.
- Espaço da Garagem – é constituído por uma garagem em plástico, com vários andares, para o estacionamento dos carros, que estão incluídos. Esta garagem inclui também, uma bomba de gasolina, assim como uma lavagem automática e foi doada ao J.I. por uma mãe. Neste espaço as crianças poderão uma vez mais apelar à imaginação, simulando corridas de carros, assim como praticam a motricidade fina, controlando o estacionamento e “guiando” os carros. Estimulam se igualmente regras praticadas pelos pais, na estrada e na qual as crianças têm tendência a imitar.
- Espaço de Actividades – é constituído por quatro mesas e várias cadeiras, onde a criança pode desenvolver a sua criatividade, motricidade fina, imaginação e sensibilidade estética, bem como aprender a explorar os vários materiais disponíveis. É uma área onde também podem ser realizados jogos de tabuleiro, enfiamentos, puzzles, etc.).
4 – A Nossa Rotina Diária
≈ Sendo assim a Nossa Rotina Diária é a seguinte…
Horas | Rotinas Diárias |
7:00 Às 9:00 | Acolhimento na Sala Polivalente com uma Ajudante de Acção Educativa |
9:00 Às 9:30 | Reunião de grande grupo (momentos de conversas, canções, histórias) Tempo de planeamento das actividades |
9:30 Às 11:00 | Tempo de actividades livres nas áreas e actividades dirigidas pelo adulto. |
11:00 Às 11:10 | Arrumação da Sala |
11:10 Às 11:20 | Tempo de rever e reflectir acerca das actividades realizadas |
11:10 Às 11:30 | Higiene/Preparação para o almoço |
11:30 Às 12:30 | Almoço |
12:30 Às 13:00 | Higiene /Preparação para o Repouso |
13:00 Às 15:30 | Repouso (apenas para quem não completa os 5 anos neste ano) (Quem completou os 5 anos, realiza actividades planificadas pelo Educador, de preparação para o ingresso no 1ºciclo do ensino básico) |
15:30 Às 15:50 | Higiene / Preparação para o Lanche |
15:50 Às 16:30 | Lanche |
16:30 Às 19:00 | Actividades Livres e jogos/ Saídas |
5 – Características de um Grupo/Tipo
Como já foi referido anteriormente, este é um grupo constituído por crianças entre os três e os seis anos, como tal, iremos de seguida apresentar uma caracterização grupo/tipo, ou seja, apresentar algumas características ligadas a crianças desta idade. No entanto devemos, obviamente ter em conta de que, esta caracterização não é uma “regra” e que todas as crianças devem ser avaliadas individualmente, tendo em conta a sua maturidade cognitiva.
De Acordo com vários autores as crianças de três anos denotam as seguintes características de desenvolvimento:
. No Jogo com blocos, geralmente sobrepõem – nos, empilham – nos e alinham – nos. Também constroem enormes estradas, montanhas ou edifícios. Dá – lhes prazer derrubar as suas construções;
. Gostam do jogo dramático, recriando papéis da vida familiar. Gostam de disfarçar – se;
. Conseguem fazer algumas coisas sem ou com ajuda do adulto. Vão sozinhos à casa de banho e necessitam de muita pouca ajuda neste ponto;
. A Linguagem Oral começa a ser um meio de comunicação. Empregam orações muito simples. Formulam perguntas. Ainda utilizam os tempos verbais em forma lógica (punhei – pus). A articulação e a pronunciação são imperfeitas e evolui durante o ano;
. A sua Localização temporal é deficiente. Ainda vivem acima de tudo no presente;
. A maioria conta correctamente até três mas ainda não conhecem a utilidade dos números como instrumento para resolver problemas quotidianos.
Relativamente ás crianças de quatro anos, podemos referir o seguinte:
. Interessam – se muito por tudo o que os rodeia e divertem – se aprendendo temas diferentes; a origem das coisas, a natureza, a reprodução e o nascimento, o sexo, Deus e a morte;
. Gostam de experimentar e procurar diferentes estratégias para chegar a resultados desejado. Aborrece – lhes o papel de espectador. Conseguem descobrir o pormenor das coisas;
. As amizades são cada vez mais importantes. É comum vê – los com um amigo preferido partilhando com este a maior parte das suas actividades. Começam a diferenciar – se os interesses entre as meninas e os meninos;
. Sentem – se mais crescidos; gostam de ter responsabilidades e de cuidar dos mais pequenos;
. Apreciam o jogo dramático e os fantoches. Encontram – se na fase do jogo simbólico, socializado e cooperativo e elegem outros para compartilharem dos seus jogos. No jogo, incorporam papeis que não são da vida familiar mas, quase sempre, relacionadas com experiências vividas. Adoram disfarçar – se e planeiam o jogo distribuindo papéis e atribuindo funções a cada participante;
. Estão também a descobrir os números e a sua utilidade. Pouco a pouco irão relacionando o signo com o seu significado e acabarão por descobrir no número uma ferramenta útil para resolver situações quotidianas;
. A figura humana irá evoluindo. Desenham a cabeça, o tronco, as partes da cara, braços e pernas bem colocados. Já conseguem respeitar os limites da folha em que desenham. Interessa – lhes o destino dos seus produtos e conservar as suas obras;
. A sua orientação Temporal é deficiente, ainda vivem principalmente no presente. Começam a compreender, em situações concretas, o passado e o futuro.
Quando falamos de crianças de cinco anos, podemos apresentar as seguintes características:
. Observam com interesse e fazem perguntas sobre tudo o que acontece em seu redor.
. Interessam – se pela utilidade e origem das coisas e pelos processos biológicos: o crescimento das plantas, o nascimento dos bebés, etc.
. Interessam – se pelas aventuras nos mares e por outros países.
. O seu sentido de realidade evolui;
. Estão a descobrir a diferença entre a realidade e a fantasia;
. Preferem a companhia do seu próprio sexo, manifestando, por vezes, desagrado perante as actividades ditas “próprias do sexo oposto”;
. Divertem – se com os jogos em que é necessário competir e começam a compreender e a aceitar as regras dos mesmos, quer sejam impostas pelo Educador, quer criadas por eles próprios;
. A figura humana é mais completa e proporcionada. Há pormenores de vestuário, cabelo, etc. Nesta fase observam – se diferenças entre as produções dos meninos e das meninas;
. Conseguem alcançar metas mais precisas determinadas pelo Educador e trabalhar em espaços reduzidos e em tempos estipulados;
. Começam a interessar – se por aprender a ler e a escrever. Ensaiam escritas próprias e copiam as que encontram à sua volta;
. Têm progressivamente, um domínio mais nítido da concepção do tempo, sempre relacionado com acontecimentos;
. Interessam – se pelos números, podem realizar operações simples com material concreto. Utilizam os números como instrumento para resolver problemas do quotidiano;
. Entram na transição entre a infância e a idade escolar. O equilíbrio entre a responsabilidade e a brincadeira, sendo este o aspecto crucial destes meninos;
. Reconhecem posições espaciais em referência ao seu corpo e a objectos entre si;
. São capazes de agrupar segundo três critérios simultâneos: cor, textura, espessura, temperatura, etc.
6 - O Nosso Projecto Pedagógico:
6.1 – Objectivos Gerais
♥ Situarem – se numa relação consigo próprias, com os outros e com o mundo numa atitude de compreensão, solidariedade e respeito;
♥ Incentivar a sociabilidade.
♥ Relações com realidades e valores diferentes desenvolvendo atitudes de tolerância, aceitações e respeito pela diferença;
♥ Incrementar a confiança e a segurança básicas;
♥ Exercitar a capacidade de Observar, Experimentar e
Descrever;
♥ Participar na vida em grupo, respeitando as regras e cooperando em tarefas e projectos comuns;
♥ Promover a aquisição de novo vocabulário;
♥ Incentivar a Autonomia;
♥ Favorecer a Motricidade Fina;
♥ Favorecer a Motricidade Global;
♥ Incentivar a Partilha;
♥ Adoptar comportamentos adequados ao desenvolvimento de uma consciência cívica e ecológica;
6.2 – A Temática
O tema do Projecto Pedagógico que se vai iniciar este ano lectivo está intimamente ligado, ao desenvolvimento Psicomotor, visto que este é uma forma de aprendizagem por excelência e a base para conhecimentos mais latos. Nomeadamente a Socialização como forma de conhecer diferenças individuais e culturais.
Deste modo, sentiu-se a necessidade de elaborar o projecto pedagógico com base em um princípio em particular: o de ajudar cada criança a desenvolver-se de uma forma plena e global, respeitando cada um como ser único, com ritmos e maneiras de ser próprias, dando-lhe oportunidade de desenvolver as suas capacidades de maneira a que se torne um ser autónomo, responsável, criativo e participante na sociedade.
O projecto Pedagógico tem uma ligação com o Projecto Educativo deste ano, que se intitula: “Educação para a Cidadania”. Na medida em que, a criança ao desenvolver o seu corpo, está também a desenvolver o se “eu” interior, o que lhe permitirá desenvolver o se “eu “exterior. Desta forma, a sua cooperação e interacção com os outros, nomeadamente a sua família, será muito maior do que tem sido até então. Este factor irá verificar se diariamente, em união consigo e com os que a rodeiam.
O tema do Projecto Pedagógico deste ano lectivo é:”Aprender, Sonhar e Sorrir”., o qual fala da importância de partilhar e construir valores sociais, culturais, morais, etc., que todos nós (crianças em especial), vivenciamos. Obviamente não esquecendo de referir a importância da psicomotricidade no J.I., assim como o papel da Família em todo o processo educativo.
6.3 – Plano Anual de Actividades
Períodos | Meses | Conteúdos/Temáticas |
1º Trimestre | ∞ Setembro ∞ Outubro ∞ Novembro ∞ Dezembro | ≈ Adaptação † Os Animais ≈ A Família † A Casa ≈ O Natal |
2º Trimestre | ﮭ Janeiro ﮭ Fevereiro ﮭMarço | ≈ As Profissões † O Corpo e a Identidade: ∞ Auto conhecimento ∞ Expressão Criativa de Si Próprio ≈ O Desenvolvimento Harmónico da criança: ∞ Confiança ∞ Iniciativa e Auto estima ∞ Tolerância à Frustração e Expressão dos afectos. |
3º Trimestre | ﻚ Abril ﻚ Maio ﻚ Junho | † O Auto controle: ∞ Planificação e ajuste de conduta (correcta ou incorrecta) ∞ Sentido de Responsabilidade e técnicas de auto controle ≈O Desenvolvimento Sócio – afectivo e a Socialização: ∞ Hábitos e atitudes de respeito, cooperação e Responsabilidade ∞ Assimilação de Normas e valores Culturais. |
7 – Bibliografia
☼ Ministério da Educação; “Orientações Curriculares para a Educação Pré – Escolar”; Editorial do Ministério da Educação; 1997, Lisboa.
☼ HOMMANN, M.; BANET B.; WEIKART, D; “A Criança em Acção”, Fundação Calouste Gulbenkian; 1949, Lisboa.
☼ HHMANN, Mary; “Educar a Criança”; Fundação Calouste Gulbenkian; Dezembro de 1997, Lisboa.
☼ REBELO, D, “Estudo Psicolinguístico da Aprendizagem da Leitura e da Escrita”, Fundação Calouste Gulbenkian, 1990, Lisboa.
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